Dependendo do tucano que estiver por perto, tire as crianças da sala. Faço a ressalva de que tenho vários amigos simpatizantes do PSDB e o maior palavrão que ouvi das suas bocas até hoje foi "osciloperturbógrafo" e "inconstitucionalissimamente".
São de outra geração, de um tempo em que a escola pública era valorizada e ensinava-se, inclusive, boas maneiras. Com certeza, essa gente foi pouco influenciada pelos atuais dirigentes, candidatos, assessores, consultores ou simples "torcedores".
Por dever de ofício, eles devem votar no seu candidato à Presidência, mas, assim, meio que com o nariz tampado. E com um protetor auricular para atenuar os altos decibéis das ofensas que seus correligionários dirigem aos adversários.
A lista de impropérios é longa. Bem lá atrás, ainda presidente, FHC lançou a moda ao chamar de vagabundo quem tentava se aposentar cedo...bem do jeito que ele fez. Mais recentemente, Aloysio Nunes, senador e vice de Aécio ameaçou comer o cu de um blogueiro (uau!). De repente, o KY foi doador de campanha e ele apenas fez lobby, vai saber.
Na abertura da Copa, deputados do PSDB foram flagrados mandando a presidenta tomar no cu com tanta intensidade que nem foi preciso fazer leitura labial. Uma famosa colunista de um jornal paulista fez parte do coro.
No primeiro debate do segundo turno, a assessoria do candidato da oposição recepcionou Dilma aos gritos de "vaca, vaca"; se Shakira estivesse presente, iria corar de vergonha devido à semelhança sonora com o seu famoso waka, waka.
Num debate anterior, Aécio agrediu verbalmente Luciana Genro chamando-a de leviana. Tanto gostou da palavra que a repetiu contra Dilma. Reconheço que é uma ofensa bem leve, talvez porque ele tenha o costume de partir para as vias de fato sem perder tempo com xingamentos.
Por esses dias, José Aníbal chamou de vagabundo o presidente da Agência Nacional de Águas, em função da seca que assola São Paulo. Certos tucaninhos miúdos, espalhados pela internet, só se referem aos adversários como "corja de ladrões", terroristas, petralhas, pilantras e coisas do tipo. Perto deles, Dercy Gonçalves pareceria a madre Teresa de Calcutá.
No dia 22 de outubro, a oposição realizou a sua manifestação contra a podridão do País. Não, o evento não aconteceu às margens do Tietê - aquele, cuja promessa de despoluição vai completar 25 anos. Na ocasião, o herdeiro do Estadão empunhou cartaz com um "Foda-se Venezuela" para quem quisesse ver e fotografar. Paulinho da Força pediu para colocar a presidenta na Papuda. Outros menos ilustres mandaram Chico Buarque ir à merda com a Geny.
Muito inspirados, criaram o slogan "ei, ebola, leva a Dilma embora" (eles têm a força na língua, mas são fracos na rima...um quê de concretismo, hehe). O grand finale aconteceu com o clássico dos clássicos: ei Dilma, VTNC...Mais podridão que isso, impossível. Só se oferecessem cebola crua aos participantes.
Com sinceridade, temo pelo dia 26 de outubro. Não tanto por possíveis agressões aos que usarão camisas vermelhas, mas pelo repertório que essa turma sem modos está preparando para a boca de urna. Por mais que eu conheça uma variedade enorme de palavrões, sempre aparece alguma novidade.
Responderei à altura, desde que eu saiba do que estou sendo xingado. Sim, portarei um tablet com sinal de internet para pesquisar no google. Mas, se o sinal cair, estarei pronto para rebater, pois já tenho um palavrão na ponta da língua: "vocês formam um bando de...osciloperturbógrafos!
Eles lá vão saber o que é isso?
(Publicada originalmente no facebook, no dia 23 de outubro de 2014)
Imprensar: verbo transitivo direto. Apertar. Dar uma "prensa". Eu imprenso, tu imprensas, ele imprensa.
terça-feira, 28 de outubro de 2014
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
And the Oscar goes to...
De Bláblá a Buábuá...esta é Marina Silva, que fica
chorosa quando alguém lhe diz umas boas verdades. E vai logo buscar o colinho
quente da Veja para se proteger.
Gostaria de ver a sua reação se um estádio lotado a
mandasse tomar naquele lugar, em rede mundial de TV. Ou se fosse chamada de
presidANTA por milhares de feicebuqueiros; ou ridicularizada
diuturnamente nas redes sociais por meio de montagens maldosas; ou malhada
impiedosamente pela imprensa.
Ou, muito pior, se fosse torturada nos porões da ditadura
militar...não, isso não. Não desejo algo semelhante a nenhum candidato, mesmo
que aceite o apoio dos "aposentecs" de farda e passe a agradecer aos
militares pela transição.
Sei de alguém que passou por tudo isso (menos o apoio dos
militares) e se manteve firme, sem deixar escapar uma lágrima em público. Sei
de outras que também dispensam o chororô em momentos de crise. Merckel,
Bachelet, Kirchner...
Vai, Marina! Pare de se esconder na barra da saia da
imprensa e do pastor Malafaia. Venha discutir propostas de governo. Fale mais
sobre o seu "neoneoliberalismo", que defende a independência do Banco
Central, algo tão radical que nem o ultraliberal FHC teve coragem de
implantar...
Explique essa história de tirar poderes da Justiça do
Trabalho, o que sinaliza mudanças na legislação trabalhista, bem ao agrado dos
patrões brasileiros. Defina-se em relação aos transgênicos: é contra, a favor
ou passa? E a homofobia? E o pré-sal?
Já estou achando que você elabora a sua opinião na base
da roleta, cujo ponteiro só gira para a direita. Aquilo que for indicado, você
defende - com unhas, dentes e muita fé. A candidata Rolando Lero, no estilo
Roletrando, campeã de Banco Imobiliário, rsrs
Marina, este papel de vítima, só pega bem nas telas de
cinema. Você é candidata à Presidência da República, não a representante de uma
sala de aula do jardim da infância. Nem ao Oscar. Que a Veja, em sua mais
recente edição, proponha um debate infantilizado, tudo bem. Sabemos que apito
ela toca. Mas, e aquele passado de tantas lutas e glórias? Colocou um pedra
preta sobre ele? Um...itaú?
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
Que venha a avalanche...
José Serra é o maior alpinista eleitoral do período
pós-ditadura no Brasil. Jamais se contentou com as montanhas menores que
escalou, meros degraus na busca pelo topo do "Everest"
Em 1994, foi eleito senador por São Paulo, mas não
esquentou banco. Virou ministro do planejamento de FHC e abriu vaga para um tal
Pedro Piva, empresário, filho do então presidente da Fiesp, o real financiador
da campanha.
Em 1998, virou ministro da Saúde. E, como ministro da
Saúde, candidatou-se à presidência em 2002. Guarde esta informação.
Em 2004, foi eleito prefeito de São Paulo, mas também não
esquentou banco. Um ano e meio depois, saiu para concorrer ao governo do
Estado. Ganhou a eleição, mas só pensava naquilo: chegar ao cume, digo, ser
presidente.
Largou as obras do estado nas mãos do Paulo Preto e foi
cuidar da sua campanha presidencial. Porém, em 2010, rolou montanha abaixo:
perdeu para Dilma. Só foi ao segundo turno graças ao fator Marina. Guarde esta
informação.
Em 2012, ele tentou reiniciar a sua escalada. Disputou a
Prefeitura, só que tinha um Haddad no caminho. Em 2014, isolado no partido, sem
possibilidade de disputar a Presidência, busca agora a vaga de senador, numa
disputa direta contra Eduardo Suplicy.
Pois na semana passada saiu a relação de ministeriáveis
de Marina Silva. Serra é cotado para a pasta de...(suspense)...Saúde! Juntou as
informações anteriores? E lá vai mais uma notícia: Marina pretende ficar apenas
quatro anos na Presidência. Não quer ser reeleita. No seu lugar, que tal
indicar algum ministro com pasta importante para disputar a Presidência? Alguém
da Saúde, por exemplo...
Pois é, eleitor, eleitora. Serra, o alpinista eleitoral,
só tenta chegar ao topo graças ao oxigênio que o sustenta por anos a fio: o
voto, dado de boa fé por aqueles que se iludem com o trololó de um político que
jamais trouxe benefícios por onde passou, cujo compromisso é apenas com o seu
ego e com seus financiadores.
Ele agora tenta uma nova escalada. Pois está na hora de
provocar aquela avalanche de votos contrários que soterre sua candidatura de
vez, bem como sua pretensão de ocupar o topo. O "Everest" não merece
passar por isso.
O meu voto vai para Eduardo Suplicy.
Nua e crua, sem sal e sem pré-sal
Bastaram algumas tuitadas, algumas postagens no facebook,
uma boa olhada no seu programa de governo e uma pesquisa no noticiário mais
recente para desnudar politicamente a candidata Marina Silva e o seu partido de
aluguel.
Em apenas um final de semana, por meio de uma dúzia de
cliques no computador, descobrimos que:
- A CANDIDATA É TEMENTE A DEUS E AO PASTOR EVANGÉLICO SILAS
MALAFAIA, que a fez recuar nas propostas em defesa da comunidade LGBT, como o
combate à homofobia e o casamento gay. Leia aqui.
- O PROGRAMA DE GOVERNO É NEOLIBERAL. Na sua equipe
econômica aparecem nomes como Eduardo Gianetti, economista favorável a
privatização, e André Lara Resende, autor da ideia de confiscar a poupança na
era Collor. A principal assessora da campanha é Neca Setúbal, filha de Olavo Setúbal e acionista
do Banco Itaú.
Lembramos que as privatizações, da forma que ocorreram,
foram nefastas para o País, provocando o racionamento de energia no governo
FHC, o aumento das tarifas de telefonia, pedágios elevados e prejuízos
formidáveis, pois a maioria das empresas foi vendida a preços irrisórios.
A candidata promete dar independência ao Banco Central,
medida que interessa diretamente aos bancos e ao mercado financeiro; pretende
desestimular a produção do pré-sal; e defende o alinhamento automático com os
EUA, que implicaria na volta do FMI, dando pitacos na economia do País. Leia aqui.
- O VICE DE MARINA, BETO ALBUQUERQUE, disse que convocaria
as ruas para forçar o congresso a aprovar suas ideias, insinuando a reedição da
tática black bloc. Nas manifestações do ano passado, militantes da Rede,
partido não-oficial de Marina, participaram dos ataques ao prédio do Itamaraty,
em Brasília, que foi incendiado. Leia aqui.
- O CASO DO JATINHO DE EDUARDO CAMPOS está cada vez mais
nebuloso. Não se sabe até agora quem é o proprietário. Nem quem vai pagar a
indenização dos moradores que tiveram suas casas atingidas. Surge agora uma
"carta de intenção" de compra, com indícios de que seja fraude. Se o
aluguel do avião não for contabilizado na campanha, a candidatura corre o risco
de ser cassada. A procuradoria da República irá investigar o caso. Leia aqui.
Como vimos até o momento, não há nada de novo no discurso da
candidata, a não ser uma demão de verniz numa velha prática econômica que, por
onde passou, causou desemprego, corrupção, corte de gastos sociais e maior
acúmulo de capital nas mão de poucos. Some-se a isso a forte influência da
religião em decisões políticas que podem afetar a evolução da sociedade e teremos combustível para crises infindáveis, com
soluções que podem beirar a catástrofe.
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