domingo, 9 de janeiro de 2011

Carta aberta à Imprensa

Prezado PIG: não tenho mensagem nenhuma. Pelo menos por hora. Só envio o envelope para que vocês curtam o selo. Demais, né? Está à venda nas boas casas do ramo (agências do Correio). Corra, antes que acabe.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

"Desparabéns", São Paulo

Foto: alternativapost
Cine Belas Artes nos anos 80. Ops, será que aquele sob a marquise não sou eu?
No mês em que comemora o seu 457° aniversário, a cidade de São Paulo ganha um "despresente", desembrulhado pela imprensa paulistana nos últimos dias: o anúncio do fim do cine Belas Artes. Um verdadeiro presente ao contrário a poucos dias da festa. O remetente? Que tal a Rainha de Copas, numa crise de ciúme do Chapeleiro Maluco, que universalizou o desaniversário (comemoração de todos os dias do ano, exceto o dia de aniversário)?
Talvez a megera tenha saído da tela de cinema - a la Woody Allen - durante a recente exibição de Alice no País das Maravilhas na versão de Tim Burton. 
E foi dar num desses shoppings, que instalam vinte salas de cinema onde antes caberiam apenas um Majestic.
Ela pensou em gritar "cortem-lhe as cabeças" ao observar os espectadores, mas ficou enfeitiçada quando se deparou com tantas lojas e suas vitrines multicoloridas; chocou-se com os preços vigentes no natal e decidiu evitar cenas de violência - iria apenas “despresentear” os paulistanos.
Pura represália. Afinal, o Belas Artes, ao que consta, jamais exibiu a versão em desenho animado de Alice, apesar de estar situado nas proximidades da passagem subterrânea sob a Rua da Consolação, que lembra vagamente o buraco por onde entrou a personagem de Lewis Carroll.
E mais: alguns transeuntes do estreito túnel, em certas horas de algumas noites lá pelos idos dos anos 80, eram bem parecidos com o Chapeleiro Maluco, Tweedle-Dee e Tweedle-Dum, ou Absolem, a Lagarta, e o Coelho Branco.
Pois bem. Antes que me cortem definitivamente a cabeça e confisquem os 51 terabytes de memória que estão acoplados ao crânio, devo lembrá-lo, leitor, que frequentei muito o cine Belas Artes e o seu entorno. Mas, tranquilize-se: eu não estava entre os amigos da Alice citados no parágrafo anterior, assim como o Brasil da época não era propriamente o País das Maravilhas.
Se fosse para me travestir em algum personagem que tenha desfilado na telona do cinema, escolheria Bernard (Gérard Depardieu) em "A mulher do Lado", o último grande filme de François Truffaut. Por quê? Ora, a atriz principal era Fanny Ardent, esposa do diretor.  E o enredo falava de dois amantes que se reencontram etc. Faria de tudo para deixar Truffaut com ciúme, já que o meu talento para dirigir filmes é quase nulo.
Ou então, eu seria Charles Serking, interpretado por Ben Gazzara em "A Crônica do Amor Louco", obra-prima do diretor Marco Ferreri, baseado em livro de Charles Bukowski. Imagine a cena: contracenar com Ornella Muti (Cass) no auge da beleza. No papel de uma prostituta autodestrutiva. No ambiente lascivo dos anos 60. Hum...
Lá pelas tantas, iria levá-la ao Bar Riviera, do outro lado da rua, na esquina. Tomar todas, discutir a relação, falar de política e todo aquele papo-cabeça que na época funcionava como preâmbulo para uma longa noite de amor em algum hotelzinho da região. Só não deixaria Cass chegar muito perto da janela.
E quem mais eu seria entre os personagens dos tantos filmes que assisti ali? Dos filmes proibidos durantes anos pela ditadura militar, quase ninguém. "Z" é uma matança sem fim. A história de "Johnny Vai à Guerra" comove, não vale à pena brincar com coisa tão séria.  Do "Quinteto Irreverente"? Seria quase todos, menos o agiota.
Talvez encarnasse Sam Lowry (Jonathan Price), em "Brazil, o Filme", de Terry Gilliam. Isso mesmo, o personagem que sonha com uma linda mulher em meio à opressão num país imaginário comandado por incompetentes burocratas, numa versão moderna de Admirável Mundo Novo.
Nesse hipotético lugar, cinemas de rua dariam lugar a lojas de departamento e a templos evangélicos num piscar de olhos, sem ressentimentos. Nessa localidade, as Rainhas de Copas de plantão cortariam as cabeças pensantes, sem a menor cerimônia. Nessa região, seria proibido desfilar pelas ruas como Alice, Chapeleiro Maluco, Tweedle-Dee, Tweedle-Dum, Absolem, a Lagarta, e Coelho Branco.
Mas eu acho que não existe esse lugar. É pura ficção, como tudo o que assisti num certo imóvel da Rua da Consolação.
Pensando bem, acho até que jamais existiu cinema em alguma rua de São Paulo. Muito menos Belas Artes, Bijou, Majestic, Brigadeiro, Bruni Brás, Universo, Comodoro e tantos outros. Não passam de lendas urbanas, assim como todas as histórias que os envolvem. E, por ocasião do aniversário de São Paulo, deixo registrados os meus "desparabéns". Aqui jorra cada vez mais "desprogresso", a olhos vistos.

sábado, 1 de janeiro de 2011

CONTAGEM REGRESSIVA: ZERO...



Ao entregar a faixa presidencial a Dilma Roussef, completa-se o ciclo político de Lula, iniciado nas greves do ABC. Deixa a Presidência com aprovação recorde. Nos braços do povo. Com lágrimas nos olhos. E sai vitorioso, por ajudar a eleger a sua sucessora e a manter o Partido dos Trabalhadores por mais quatro anos no poder. Valeu Lula, Boa sorte Dilma. Governe sempre com o povo, para o povo. Escreva mais uma página da história do Brasil com as mãos dos seus eleitores e apoiadores.

CONTAGEM REGRESSIVA: UM...

Valeu, companheiro

Pasme, leitor, meu primeiro voto foi para Fernando Henrique Cardoso, para senador. Bem lá atrás, em 1978. Sim, ele era o novo na época. Não se elegeu. Nas eleições seguintes, de 1982 em diante, passei a cravar PT. Até porque o PT nasceu em 1980. E passei a cravar "Lula", de alguma forma: ou como candidato a governador, ou a presidente. Só não votei nele para deputado, pois sua eleição era barbada. Faço as contas e lá se vão 29 anos! Faço outras contas e concluo que Lula esteve presente em minha vida política em quase 60% do tempo.
Não só da minha, é claro. São 60% do tempo de toda a minha geração, goste-se dele ou não. Apoiando-lhe ou combatendo-o. Sem dúvida, Lula é o político do meu tempo. É o grande nome, para ser amado (bem amado, se considerarmos as mais recentes pesquisas de aprovação ao seu governo) ou odiado.
Nessas horas, lembro que meus pais também tiveram a vida política marcada por nomes como Getúlio Vargas, Ademar de Barros, Jânio Quadros. Para o bem ou para o mal, fizeram época. Entraram para a história. Estão nos livros didáticos do 2º grau. E se meus pais estivessem vivos, certamente se recordariam de eleições passadas, dos seus ídolos.
O que eu quero dizer é que sou do tempo do Lula. Ele carimbou a minha vida política. Levei o seu nome a lugares que eu nunca imaginei que iria visitar um dia. Arranjei amizades por causa dele. Arrumei inimizades também, por defendê-lo. Antes de se eleger presidente, ele entrou em minha casa com uma facilidade tremenda, por meio de cartazes, discursos impressos, banners e outros materiais de campanha. Chegamos a tomar alguns guaranás juntos no auge da minha militância, em algum boteco próximo à antiga Eletropaulo, onde ele fez palestra, a convite do núcleo do PT, lá pelos idos de 1986.
Por tudo isso, saúdo o seu mandato. Saúdo o seu desempenho. Se a trajetória dos ídolos políticos dos meus pais não foi das melhores, de Lula só tenho do que me orgulhar. Afinal, ele se fez por um partido que ajudei a construir. Graças a ele e a sua equipe de governo, demos um grande salto em busca de uma sociedade melhor, igualitária.
Lá na frente, bem à frente, Lula será lembrado. E que seu nome fique de boca em boca, por várias gerações. O primeiro operário a governar o Brasil. O primeiro operário a passar a faixa presidencial a uma mulher. E o primeiro episódio da nossa história contado totalmente por nós, pelo povo brasileiro. Valeu mesmo, Lula!

CONTAGEM REGRESSIVA: DOIS...












Som na caixa, DJ

Sai do chão, sai do chão. Relembre jingles das campanhas de Lula à Presidência. Lulalá está presente, lógico. E conheça algumas canções que falaram do ex-metalúrgico em diferentes períodos da história, com Lìngua de Trapo e Paralamas. E, para encerrar, Vida de Viajante, com Zezé de Camargo e Luciano.